
Protagonista do seriado ‘A Lei e o Crime’, da Record, Ângelo Paes Leme faz questão de participar da gravação, na Favela Tavares Bastos, mesmo quando seu personagem, o traficante Nando, já saiu de cena. “Gosto de compartilhar. O que me dá tesão é ver que está tudo dando certo”.
Viver um traficante na TV fez você ter uma outra visão da violência no Rio?Ângelo — Nunca fui assaltado, mas já tinha visão bem realista. Desde os anos 80, o crime organizado vem crescendo no mundo inteiro. É complexo ter esse entendimento de onde a lei está sendo antilei e o crime está tendo uma suposta legalidade. Sabemos como funciona, onde se vende a droga, como se compra, mas é uma situação muito difícil de resolver.
— Interpretar um bandido ajudaria você a se sair bem numa situação de violência?
— O Nando é um estrategista que busca o poder dentro do crime. Quem vive numa guerra e sobrevive conhece melhor os perigos. Como ator não sei como me sairia, talvez tivesse que usar minha imaginação, teria que usar uma outra energia. Numa situação dessas, eu teria medo porque dou muito valor à vida. Um bandido que está numa situação de guerra conta com a frieza, com a falta do medo da morte e também com a sorte de não ser acertado por uma bala perdida e de escolher o caminho certo para fugir.
— Esse papel deu a você uma grande projeção. Como é lidar com a fama?
— O mundo é muito consumista e cada vez se dá mais valor ao culto às celebridades. Acho que para um ator isso é ruim, você expõe sua vida e o personagem perde a credibilidade, quem assiste vê como se tivesse uma espécie de nuvem. Um bom profissional pode ter fama pela qualidade do trabalho, mas aparecer numa revista porque comeu minhocas podres não significa nada. Faço questão de manter minha individualidade, o ator trabalha com o mistério.
— E a profissão de ator vale a pena?
— Apesar da instabilidade, a profissão te dá uma coisa fantástica que é a liberdade. Eu posso aceitar um trabalho ou não. E mesmo quando um ator para, ele está se reciclando. Acho que quanto mais um ator envelhece, mais se torna interessante. Ele precisa viver intensamente porque o nosso material de trabalho é o ser humano. Estou com 35 anos e sei que terei papéis cada vez melhores daqui para frente.
— A Record deu a você a oportunidade de fazer um protagonista. Como você analisa sua carreira nesse momento?
— Quando estive na Globo, eu tive bons papéis, fiz o Salomão em ‘Uga Uga’ e o Soldado Peixoto em ‘Chocolate com Pimenta’, foram papéis em que eu precisei colocar uma dose de comédia para que eles sobressaíssem. Sentia falta da dramaticidade, gosto de papéis trágicos, de personagens que fazem a curva na vida e podem ir do melhor ao pior, de situações-limite. Mas minha carreira mudou mesmo quando fiz cinema em ‘Os Desafinados’, de Walter Lima Jr. Era meu sonho fazer cinema. Mas não quero parar de fazer TV. Na Record, eu tive uma nova leitura do meu trabalho.




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