quinta-feira, 30 de outubro de 2008

SCRIPT Maria e Marcelo



CENA 3. CASA ABANDONADA. INT. DIA

MARIA FECHA A PORTA RAPIDAMENTE E SE VOLTA PARA MARCELO, ASSUSTADA. MARCELO ESTÁ MUITO FRACO, COM O FERIMENTO EXPOSTO. OFEGANTE, MARCELO TEM DIFICULDADE DE FALAR.

MARCELO — O que foi, Maria?! O que você viu?

MARIA — Eu acho que tô ficando maluca, Marcelo. Só pode ser...

MARCELO — Você ainda se espanta com alguma coisa nessa ilha?!

MARIA — Olha, o que eu vi agora me deixou bem assustada. Não vou mentir.

MARCELO — Mas o que foi que você viu? Me conta!

MARIA — Eu vi um bicho muito esquisito, Marcelo. Parecia um cavalo ou uma égua, sei lá. Mas não tinha cabeça! No lugar... Tinha fogo! Fogo saindo pelo pescoço!

MARCELO — Só pode ser a mula sem cabeça, Maria.

MARIA — Meu Deus! Mula sem cabeça? Tá falando sério? Igual às lendas?

SONOPLASTIA. RELINCHOS E CAVALGAR.

MARCELO — É, Maria. Não duvido de mais nada. Quando eu era pequeno, tinha medo dessa história... da mula sem cabeça... e agora... será possível?

MARIA — Será que isso tá mesmo acontecendo, Marcelo? A gente não tá sonhando? Sob a influência daquele mutante do mal?

MARCELO — Você acha que pode ser mais um ataque do Pesadelo?

MARIA — Não sei. Mas pode ser.

MARCELO — Mas como nós dois podemos estar vivendo o mesmo sonho tenebroso?

MARIA — É o que tá parecendo. O Homem-Pesadelo deve estar por perto. Deve ter o poder de nos fazer sonhar juntos com coisas de que nós temos medo.

MARCELO — O pesadelo... ele quer nos destruir...

MARIA — Ou então... será que é verdade? Será que é mais uma louca invenção dos reptilianos?

MARCELO — Não... Os lagartos marcianos são bípedes, com polegar opositor, assim como nós. São de uma civilização mais antiga que a nossa... e tem um enorme controle da engenharia genética das mutações físicas... É assim que eles viajam de planeta em planeta, sugando a água... Mas mesmo eles – que têm o poder de locomover sua civilização pelo espaço sideral – mesmo eles não poderiam materializar uma criatura tão tenebrosa... um monstro tão terrível quanto a mula sem cabeça. Você conhece a lenda?

MARIA — Sim. É uma criatura muito conhecida no folclore brasileiro... Minha mãe me contou uma vez a história... É muito macabra...

MARCELO — Me lembra... Era uma mulher, não era?

MARIA — Era... Era uma rainha, em Portugal, que tinha a mania de ir sozinha, ao cemitério, escondida de todo mundo, em algumas noites da semana. O rei, uma noite, decidiu seguir sua mulher, sem ser visto por ela. Quando chegou ao cemitério, ele a encontrou debruçada sobre um túmulo, com as mãos cheias de anéis, devorando o cadáver de uma criança, enterrada na véspera. O rei, deu um grito, horrorizado. E quando a mulher viu que tinha sido pega em flagrante, ela se transformou na mesma hora na Mula-Sem-Cabeça, que solta fogo pelas ventas.

MARCELO — E foi isso que você viu, Maria?

MARIA — Foi. Lá fora. Eu não conseguia imaginar... como podia soltar fogo pelas ventas... se não tinha cabeça... até que hoje eu vi... a mula sem cabeça!

MARCELO — Cruzes! Um monstro que solta fogo pelo pescoço? Com patas de aço e um relincho que pode ser ouvido a muitos metros de distância!

SONOPLASTIA. NOVO RELINCHO DESTA VEZ MUITO PRÓXIMO.

MARIA — Eitalelê. Parece que ela tá cada vez mais perto!

MARIA LEVANTA-SE E VAI ATÉ FRESTA OU JANELA VER O QUE É.

MARIA — (ASSUSTADA E CURIOSA) O que é isso, meu Deus?!

MARCELO — O que você tá vendo, Maria?

MARIA TOMA SUSTO.

MARIA — É ela, Marcelo! Eu tô vendo! É a mula sem cabeça!

MARCELO — Ai! Maria! Não tô me sentindo nada bem! Tô sentindo muita dor!

CAM. DETALHA: MARCELO GRITA E DESMAIA.

MARIA — É o Homem-Pesadelo! É ele! Só pode ser ele que tá fazendo isso!

NO PAVOR DE MARIA,

CORTA PARA

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