
Tiago Santiago: Meu amigo Fábio Junqueira foi desta para melhor. Não pude ir ao enterro porque a Lígia estava gravando, e eu fiquei com o bebê. Lembro de Fabinho desde 1983, quando éramos colegas de camarim, em "Adorável Júlia", e Caio Junqueira e o Jonas Torres eram os pequenos que vinham ver o paizão. Eu tinha 19 anos, Fábio tinha 27. Eu fazia o filho, e ele o jovem galã de Marilia Pera. A peça foi um sucesso extraordinário, com direito a aulas diárias de vida e arte desta grande atriz que é Marília. Cismei com Fábio sobre o que era surrealismo, e depois vi que ele tinha razão, sabia muito mais do que eu o que era o movimento, qual a teoria. Ali ele me mostrou o quanto eu - que achava que já tinha lido muito - ainda podia crescer e estudar. Fábio sempre foi mestre na vida, exemplo de caráter, de bom colega, homem cultíssimo, muito inteligente, grande artista, bem criado e educado por excelente família, ótimo pai, companheiro, amigo. Tive a felicidade de voltar a trabalhar com ele e seu filho Caio Junqueira, cuja carreira acompanho desde cedo, no lindo canto de cisne de Herval Rossano, nossa versão de "A Escrava Isaura". O que eu penso sobre o assunto, a morte:
A cada dia dormimos e acordamos,
E o sono é uma pequena morte.
O sol todo dia nasce e morre
Para renascer na nova manhã.
A lua cresce e depois desaparece,
A cada mês some para nascer de novo.
As águas descem e depois sobem aos céus.
Assim quero crer que são as almas,
e que nós, eternos, em múltiplas vidas,
vagamos pelos planetas, em idas e vindas,
pelas mágicas realidades deste Universo.
Para sempre ficam os momentos felizes que vivemos juntos.
Tiago
Blog Tiago Santiago




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