sábado, 8 de novembro de 2008

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O diretor Alexandre Avancini garante que o seriado A Lei e o Crime, que estréia em janeiro na Record, não tem ligação direta com Vidas Opostas. Mas filma a história da fictícia comunidade Alvorada, retratada na produção, no mesmo lugar que usou para os conflitos do Morro Torto, onde Jackson, de Heitor Martinez, e seu bando "tocavam o terror".

Para garantir mais veracidade às cenas, Avancini usa vários moradores do Morro Tavares Bastos, no Catete, Zona Sul do Rio, como figurantes. "É melhor trabalhar na favela do que em locais onde a classe média-alta predomina. Aqui as pessoas respeitam a arte de fazer teledramaturgia", defende, enquanto acena para velhos conhecidos que já estão acostumados com as equipes da emissora por ali. Afinal, além de A Lei e o Crime e Vidas Opostas, Avancini também gravou algumas cenas de ação de Os Mutantes - Caminhos do Coração no local.

As semelhanças entre o seriado e a novela não terminam nas locações. Boa parte do elenco confirmado na nova aposta da Record é da época do Morro Torto. Mas, para evitar que a sensação de déjà vu seja ainda maior, desta vez eles aparecem com funções trocadas.

Heitor Martinez, que interpretava o chefe do tráfico na novela, volta agora como policial. Felipe Martins também largou os trejeitos de malfeitor para encarnar um incorruptível presidente de Associação de Moradores. Só mesmo o protagonista Ângelo Paes Leme, que já viveu um marginal na antecessora, repete a dose. Mas o ator, que interpreta o anti-herói Nando, garante que é completamente diferente. "Meu personagem não se criou no morro e nem sonha levar esse tipo de vida. Contamos a história de um homem que, por força das circunstâncias, cai no tráfico, mas só pensa em recuperar a família e fugir", adianta.

A história começa quando Nando, durante uma discussão familiar, mata o sogro com cinco tiros. Na fuga, pede abrigo ao amigo Valdo, de Sílvio Guindane, que vive no Morro da Alvorada. Ao chegar lá, entra para o tráfico para se proteger e, numa prova imposta pelos bandidos, mata também o pai de Catarina, vivida por Francisca Queiroz.

Ela e Romero, cunhado de Nando, interpretado por Caio Junqueira, se tornam os maiores inimigos do criminoso. Ainda mais depois que ele assume o comando do tráfico na região, com a ajuda de Valdo. Aleijado de uma perna e cego de um olho, Valdo trai o chefe do tráfico e ajuda Nando a assassinar o dono do morro. "Pode não parecer, mas o texto não discute a violência em si. A grande questão é a forma como as pessoas lidam com ela", filosofa Guindane, que observou a rotina de vários deficientes para encarnar o papel. "Estou tão envolvido nesse trabalho que eu mesmo pichei a muleta que uso em cena", entrega.

Além de pegar carona no sucesso de Vidas Opostas, o elenco de A Lei e o Crime também conta com dois reforços que se tornaram famosos pela participação no longa Tropa de Elite. Caio Junqueira, o aspirante Neto no grande sucesso do cinema brasileiro em 2007, interpreta na série o policial Romero.

André Ramiro, o aspirante Matias no longa, também marca presença na produção da Record. Inicialmente, foi convidado para encarnar outro policial, mas ele só aceitou assinar o contrato quando conseguiu ficar do outro lado da lei. "Fiquei famoso por minha atuação no filme e não queria fazer algo parecido agora. Vou mostrar uma faceta completamente diferente no seriado", explica, antes de gravar a seqüência em que seu personagem, Tião Meleca, faz a segurança de Nando no dia da posse do traficante como chefe do bando.

A Lei e o Crime - Estréia no dia 5 de janeiro, depois de Chamas da Vida, na Record.

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