segunda-feira, 10 de novembro de 2008

SCRIPT Tarso, Sandra e Batista


CENA 13. CASA DE TARSO. INt. NOITE

SANDRA ESTÁ CHORANDO, ARRASADA. BATISTA A CONSOLA.

SANDRA — Não precisava ser desse jeito, Batista... Depois de tantos anos juntos... chegar a esse ponto, meu Deus... de ter que chamar a polícia! O João apontou uma arma pra mim! Queria me matar! Não me conformo! (CHORA MAIS)

BATISTA — Ô, Sandrinha... não fica assim que me dói o coração... Esquece, já passou.

SANDRA — Não tem como esquecer uma coisa dessas, Batista. Tô arrasada com essa história... muito magoada...

BATISTA — Eu sei. E com toda razão. Foi broca, meu! Também fiquei super assustado, manja? Muito chato. O João Ricardo passou dos limites.

SANDRA — Se não fosse por você, Batista... não sei o que seria de mim... Podia ter acontecido uma tragédia!

BATISTA — Mas agora tá tudo resolvido. Fica calma. Limpa esse rostinho lindo... (LIMPA AS LÁGRIMAS DE SANDRA) e me dá um sorriso, meu...

SANDRA DÁ UM SORRISO, TRISTE.

BATISTA — Isso! Que sorriso maravilhoso! Esse sorriso me mata!

SANDRA AGORA SORRI COM VONTADE, MAIS ALEGRE.

SANDRA — Ah, Batista... só você mesmo...

BATISTA — Agora sim! Vem, Sandrinha, me dá um abraço.

BATISTA ABRAÇA SANDRA, CARINHOSO. PASSA A MÃO NOS CABELOS DE SANDRA. ELA SE SENTE CONFORTADA.

BATISTA — Prometo que vou cuidar de você, minha querida. Não vou deixar nada de mal te acontecer.

SANDRA SAI DO ABRAÇO. ELES FICAM MUITO PRÓXIMOS UM DO OUTRO.

SANDRA — Obrigada, Batista. Você sempre me tratou tão bem. Nunca devia ter te abandonado...

BATISTA — (PÕE O DEDO NA BOCA DELA, GENTIL) Isso é passado, Sandra... Não importa mais. O que vale é o aqui e agora... e o que a gente vai fazer do nosso futuro...

BATISTA E SANDRA SE OLHAM INTENSAMENTE POR UM INSTANTE.

SANDRA — Quero fazer tudo certo dessa vez...

BATISTA — Eu também.

BATISTA BEIJA SANDRA.

TEMPINHO NO BEIJO.

INSERIR EFEITO: TARSO SE TELETRANSPORTA.

TARSO — Mãe!

BATISTA E SANDRA SE AFASTAM, ASSUSTADOS, SEM GRAÇA. SAIA JUSTA ENTRE TODOS.

SANDRA — Que susto, Tarso!

BATISTA — Ô, filhão! Tudo bem com você?

TARSO — Desculpa, não queria interromper.

BATISTA — Você nunca interrompe, imagina! Não fala uma coisa dessas.

SANDRA — O Batista só tava me dando uma força.

TARSO — Eu vi.

BATISTA — (PIGARREIA) Bom, eu já tava mesmo de saída...

SANDRA — Mas o Tarso acabou de chegar... Fica mais um pouco.

TARSO SE AFASTA, ALHEIO AOS DOIS, E OLHA EM VOLTA, ESTRANHANDO A BAGUNÇA.

TARSO — Mas que bagunça é essa, mãe?

SANDRA — Foi o João Ricardo. Ele veio aqui e fez um escândalo! Uma coisa horrível! Tive até que chamar a polícia!

TARSO — Polícia? Mas precisava de tanto?

SANDRA — O seu pai amarrou o Batista e ameaçou nos matar, Tarso.

BATISTA — Ele tava doidão, meu, completamente fora de si!

SANDRA — Nunca passei tanto medo em toda a minha vida! Não tive escolha, filho. Se a polícia não chegasse a tempo, podia tá morta a essa hora.

TARSO — Ah, quanto drama! O meu pai não ia fazer isso, também não é assim!

SANDRA — Como não? Você já viu o estado em que o João fica quando bebe! O seu pai ficou com uma arma apontada pra mim, Tarso! O que houve aqui foi muito sério!

BATISTA — Sou testemunha. Foi uma coisa de louco!

TARSO — Mas agora ele tá preso! Sei que o meu pai perde a cabeça de vez em quando, mas não queria que ele fosse pra cadeia!

SANDRA — Tá se preocupando à toa, filho. Aposto que o João Ricardo já tá com cinco advogados lá na delegacia. Tenho certeza que daqui a pouco ele consegue um habeas corpus de um juiz amigo... Sei bem como é que é. Ele vai ficar solto rapidinho até cometer um crime. E mesmo depois de cometer um crime, talvez... não duvido nada!

BATISTA — Do jeito que esse país é, também não duvido! É um absurdo essa impunidade.

TARSO — Você também, hein, mãe? Nem deu tempo pro pai esfriar a cabeça e já começou a namorar o Batista!

SANDRA — Ah, mas essa é boa! E ele que namorava um monte de sirigaita enquanto tava comigo?

TARSO — Então você quis dar o troco, foi isso? Queria provocar, mãe... deu no que deu!

SANDRA — A culpa agora é minha?!

TARSO — Ele morre de ciúme do Batista! Você tá cansada de saber!

BATISTA — Tarso, por favor, me desculpa... Talvez a gente foi um pouco precipitado mesmo. Não queria nunca causar qualquer tristeza pro meu filho.

TARSO — É, mas causou.

BATISTA — Sinto muito. Depois a gente se fala melhor. Acho que agora não é a hora.

TARSO SE AFASTA, TRISTE.

BATISTA — Tchau, Sandrinha.

SANDRA — Tchau.

BATISTA SAI.

SANDRA — Não acredito que você tá defendendo o João depois de tudo o que ele fez, Tarso!

TARSO — Tô muito decepcionado com você, mãe! Você fez tudo errado!

TARSO VAI PRO QUARTO, REVOLTADO COM A MÃE.

SANDRA — Tarso!

TARSO JÁ SE FOI. NA PREOCUPAÇÃO DE SANDRA,

CORTA PARA

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